Maurici de Oliveira
Medidas propostas saneiam a empresa e a tornam mais lucrativa, rumo à abertura de capital
Modernização administrativa, uma empresa participando mais do negócio portuário e distribuindo lucros são alguns dos planos da Companhia Docas do Estado de São Paulo – Codesp para os próximos três anos no Porto de Santos, revelou o presidente José Roberto Serra. Ele fala em plano de desligamento voluntário, renovação do quadro de pessoal, uma nova sede, a transferência de serviços - como a amarração de navios - para o setor privado e em um novo modelo de arrendamento de áreas, com adaptação de contratos.
As medidas apontadas por Serra são coerentes com a proposta já defendida no âmbito da Secretaria Especial dos Portos - SEP, de sanear a empresa com a perspectiva da abertura do capital. É isso que pode estar nas entrelinhas, quando Serra afirma: “Queremos captar negócio”. Sem tocar no assunto, num período ruim para as empresas com ações em bolsa de valores, Serra diz que o futuro do porto é visto em duas diretrizes, quais sejam planejamento e infra-estrutura.
Considerando que o Programa de Aceleração do Crescimento – PAC termina em 2010, ele afirma que é preciso criar aqui as soluções para os problemas existentes. Com a reestruturação planejada, a empresa que desenhou será agressiva no mercado e atualizada, num porto dragado, expandido e tecnologicamente avançado. O desligamento de aposentados ou daqueles que estão prestes a se aposentar será incentivado. As medidas acompanham o compromisso assumido de criar um plano de cargos, carreiras e salários, e instituir a inédita participação nos lucros e resultados, elencou o presidente.
Uma nova sede administrativa também é planejada. Reunir todos os funcionários num mesmo espaço físico é visto com bons olhos. “Um lugar onde todos se encontram”, brincou Serra. “Hoje é muito descentralizada, tem várias estruturas administrativas dentro do porto e muitas vezes as pessoas trabalham, mas não se encontram”, afirmou. Num primeiro momento, a nova sede poderá ser num dos galpões hoje existentes ao longo do porto, mas um projeto definitivo poderá ser realizado com a participação da iniciativa privada. “Um segundo projeto, de médio prazo, pode ter um pouco mais de investimento, com uma visão de multifuncionalidade. Até a iniciativa privada poderia construir, mediante uma licitação. A Petrobras tem feito isso. As sedes de empresas portuárias podem ser exploradas, até com shoppings dentro dos prédios. Queremos fazer isso”, disse o presidente.
Serra afirmou que o porto precisa, já a partir do primeiro trimestre de 2009, de um novo modelo de tarifa, pois o atual não é adequado aos serviços prestados. Sinalizando novos tempos, ele fala em decisões mais rápidas e abertas, participação de todos, criando inclusive uma ouvidora do porto. “Isto reflete a forma de gestão que queremos implantar”. Afirmou também que os arrendamentos sofrerão revisões de metodologia. “Não queremos sociedade com empresas, não queremos participar do negócio da empresa, mas do negócio portuário. Isto é muito claro na nossa política de gestão. Iremos fazer um novo modelo de arrendamento que efetivamente reembolse o poder público”, disse. (Especial para A Tribuna)
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Codesp passará por reestruturação administrativa
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