terça-feira, 3 de março de 2009

Roubo de carga em SP apresentou leve crescimento em 2008

Assunto monopolizou reunião do Comitê de Logística da Codesp, em Santos

O tema roubo de carga monopolizou a reunião do Comitê de Logística do Porto de Santos, nesta manhã. Apresentações da Polícia Militar e da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de SP - Fetcesp mostraram leve aumento nos números globais, de 6.192 ocorrências em 2007 para 6.344 em 2008.

Do volume total, 98% dos casos de roubo de carga ocorrem num raio de até 150 km da capital paulista, onde estão os receptadores. O estado paulista concentra praticamente a metade dos roubos em todo o País. A Polícia Militar e a Fetcesp asseguram que os dados paulistas são confiáveis, o que não se pode afirmar sobre as demais secretarias de segurança no resto do território nacional.

Dentre as ocorrências registradas em território paulista em 2008, 1.048 delas foram na capital e na Grande São Paulo. O pico dos casos, historicamente, ocorre das 8h às 12h. "Os bandidos sabem que estes são os horários de entrega", afirmou o Cel Paulo Roberto de Souza, responsável pelo setor na Fetcesp.

O delegado Marcelo Gonçalves, do Núcleo de Delegacia Especializada de Santos, afirmou que para combater o roubo de carga é necessário agir com inteligência. "As quadrilhas são especializadas e têm informações privilegiadas. Eles sabem o que querem, onde está a mercadoria e sabem como fazer".

Em valores, os roubos de mercadorias em 2008, em São Paulo, ficaram ao redor de R$ 232 mi. Há disparidades entre estes dados, uma vez que nem sempre o motorista conhece o valor daquilo que está transportando. Os produtos alimentícios são o principal filão das quadrilhas, com 1.533 ocorrências, com algo em torno de R$ 20 mi de prejuízos. Os eletroeletrônicos, por sua vez, são a maior cifra em valores, ao redor de R$ 51,9 mi de prejuízos. A média de invasões a armazéns, praticadas por grupos fortemente armados e organizados, gira ao redor de 100 ocorrência/ano.

Segundo o Cel Paulo de Souza, dentre as ações a realizar em São Paulo e no País, estão a regulamentação da Lei Complementar 121, a implantação de sistemas e mudanças na legislação penal e execução processual. "Compensa ser ladrão de carga. A penalização é muito branda e é difícil caracterizar a receptação qualificada".

A forte presença de militares fardados, inclusive o alto comando, dentro do Comitê de Logística do Porto de Santos, coincide com a prisão do superintendente do Órgão Gestor de Mão-de-Obra - OGMO, de um funcionário de agência marítima, e um grupo de trabalhadores avulsos. Todos estão envolvidos em um esquema de embarque de drogas pelo Porto de Santos.

Permitida a reprodução desde que citada a fonte. (Lei do Direito Autoral)

2 comentários:

Anônimo disse...

Maurici, boa tarde meu nome é Aroldo, trabalho com transporte em Curitiba, e recentemente me formei em Logística.

Na faculdade abrimos uma discussão sobre o assunto segurança e roubo de cargas. Chegamos a um case que demonstrou que a falta de vontade política para gerar recursos para a equipe polícial e tambem demonstrou que falta o investimento em recursos de inteligência centralizando as investigações. Tambem o volume de investigações demonstrou que muitos casos são engavetados e se é dado prioridade a novos eventos.
Demonstrado que a redução de roubos é uma meta difícil de ser atingida.

No case foi demonstrado o recurso de investigação de códigos de barras nas assistências técnicas de uma marca de eletroeletrônicos, no qual com a lista de códigos furtados em roubos foi rastreado o proprietário, e surpresa quando o proprietário da mercadoria informou que a comprou em uma rede de supermercado de grande porte em São Paulo.

Santos Repórter disse...

O Cel que fala em nome da Fetcesp confirma a dificuldade em penalizar o receptador, uma vez que o autor interpõe o nome de laranjas, além do o fato de serem brandas as punições. Daí a frase dele: "compensa ser ladrão de carga". Muito perntinente seu comentário. Muito grato.