segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Três grupos entram com recursos na disputa pela dragagem em Santos

Obra de R$ 203 milhões, o aprofundamento do canal do Porto de Santos é disputada por cinco consórcios

Três dos cinco consórcios inabilitados na concorrência pública internacional para a dragagem de aprofundamento do Porto de Santos recorreram a fim de ser manter no páreo. O bolo em disputa vale a pena. É de pouco mais de R$ 203 milhões. A comprovação quanto à disponibilidade de dragas para realizar o trabalho, a caução da proposta (depósito, ou garantia bancária), documentação, índices de balanço contábil e comprovação de capacidade técnica são os entraves até o presente momento.

A Secretaria Especial de Portos – SEP analisa agora os recursos apresentados. Especialista em licitação ouvido por este blog afirma que a fase documental é o início de tudo e uma das mais difíceis, quando são exigidos documentos, declarações, atestados e provas de situação fiscal e legal. São exigidos documentos da empresa e dos dirigentes. Falha na documentação de apenas um membro de um consórcio de dez empresas pode inviabilizar a participação de todo o grupo.

As empresas tiveram oito dias úteis para complementar dados ou corrigir as falhas que permitiram suas inabilitações, agora prorrogado por mais oito (a partir de 5 de fevereiro). O especialista avalia que vencerá a empresa que tiver a melhor assessoria, não necessariamente a melhor técnica, embora também haja parâmetros desta natureza. A licitação tem como critério de julgamento o menor preço. A empresa que conseguir se habilitar passará para a próxima fase, que é a abertura dos envelopes de proposta.

A cada nova etapa, até a homologação da vencedora, caberão recursos. Após a abertura de propostas as empresas ainda podem ser desclassificadas quanto a critérios como planilhas e cronogramas físico-financeiros inexeqüíveis, por exemplo.

A pedido, o especialista analisou o quadro geral quanto às inabilitações. Para ele, demonstrar a disponibilidade de dragas, com declaração do proprietário, pode ser viável. É este o caso de pelo menos dois grupos. “Se as empresas têm a corrida com os proprietários de dragas, eles podem conseguir. Quanto a alterar um dado de balanço, isto é impossível”. Quanto a uma empresa que não está legalmente no Brasil, não há o que fazer. “Ela (a empresa) precisa existir para nós”.

Segundo a SEP, nos próximos dias será divulgada a posição da secretaria. Conforme a fonte deste blog, na fase atual do processo licitatório não é mais possível incluir novas empresas na disputa. “Se a secretaria quisesse, poderia ter fracassado o processo e iniciado outro, mas o edital foi mantido. A concorrência se dará com estas empresas. Por isso, quem conseguir se habilitar e tiver o menor preço, sagra-se vencedora, ressalvando que sempre caberão recursos.
Veja documento oficial da SEP

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

P&G: Fornecedor aumenta a produção para manter pronta entrega

Fabricante de cintas de amarração e elevação se preparou para a Bacia de Santos

Tão importante quanto preparar mão-de-obra técnica, é necessário desenvolver fornecedores para a nova cadeia econômica que se instala. A verdade é repetida a cada rodada do Prominp, o fórum no qual se discute a preparação das cidades para a nova realidade econômica. Em Santos, uma das empresas que já se anteciparam é a Tecnotextil, no ramo de cintas de elevação e amarração de carga.

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A empresa santista fundada em 1991 - incorporando a Levtec (1983) - já é fornecedora da Petrobras. A partir de 2007, a companhia líder de mercado investiu R$ 5 milhões em ampliação do parque têxtil, a fim de aumentar a produção. Segundo Ronaldo Kauschus Leal, diretor Comercial, a finalidade é manter a principal linha de produtos em pronta entrega. “Queremos atender com a maior agilidade possível e pretendemos ter na linha padronizada, alguma coisa no estoque para pronta–entrega”, afirma.

Característica da cadeia do petróleo e gás, por atuar em condições extremas, materiais, insumos, máquinas e equipamentos necessitam de alta performance, com padrões elevados de qualidade e tecnologia. Na ampliação da Tecnotextil, além de duplicar a área construída, para 5,1 mil m², e aumentar em 80% a capacidade produtiva, o diretor destaca o investimento em tecnologia, como no laboratório de ensaio de fios. “Para manter toda a produção no nível de segurança temos laboratório de testes para até 200 toneladas. É um material de segurança. Não podem ocorrer riscos, por isso é tudo dentro dos padrões de segurança mundiais”, disse.

Ele destaca a atuação da empresa na Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT para a padronização das cintas de poliéster para elevação de carga, NBR 15637, que entrou em vigor em dezembro. “Depois de oito anos conseguimos homologar. Temos que ter este cuidado, não pode ocorrer nenhum tipo de problema. É material de segurança”.

As cintas de poliéster são utilizadas para movimentar cargas de até 200 toneladas. O ajuste perfeito do material ao contorno da carga é uma das vantagens das cintas sobre os cabos de aço. Para a construção de dutos e gasodutos as cintas se mostraram altamente indicadas e hoje já estão presentes na construção de gasodutos e um mineroduto, do Norte ao Sudeste. (Especial para A Tribuna)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Reunião do Comitê de Logística deve ser concorrida nesta terça

Com o Porto de Santos em plena ebulição, devido ao aniversário de 117 anos, o anúncio de medidas, crise mundial, e a reestruturação portuária já anunciada, o Comitê de Logística Portuária volta a se reunir nesta terça-feira (3/2), pela manhã, na sede da Codesp. A licitação da dragagem de aprofundamento é um dos temas atuais.

Às 18h32, 13 navios aguardam na barra. O navio de cruzeiros, Island Scape, deixa o Terminal de Passageiros, em direção à saída do canal de navegação. Pelo menos 38 embarcações estão atracadas ou em trânsito neste momento.

Petróleo na camada do pré-sal é leve e de qualidade

Após lâminas d’água de até 3 mil m, 2 mil de sedimentos, 2 mil m de camada de sal, há jazidas de um óleo riquíssimo

Assim como a existência de petróleo na Bacia de Santos é conhecida desde 1974, em 1980 já se tinha conhecimento sobre as profundas camadas do pré-sal. Em comum, a inexistência à época, de tecnologia de sísmica para realizar a exploração. O valor do barril também não compensava o investimento. Para que a exploração do pré-sal fosse inaugurada no início de setembro de 2008, no campo de Jubarte (ES), na Bacia de Campos, a Petrobras venceu um imenso desafio.

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Horizonte mais longínquo da exploração de petróleo e gás, a camada pré-sal é uma extensa faixa abaixo do leito do mar, e como o nome revela, é anterior à camada de sal que se forma embaixo de mais de 2 mil metros de sedimentos. Após lâminas d’água de até 2,5 mil metros, extensa camada de sedimentos, seguida da camada de sal, as jazidas estão em profundidades finais de até 8 mil metros, a distâncias de até 300 km da costa.

No pré-sal a pressão atmosférica é elevadíssima, assim como a temperatura, a mais de 300 graus, exigindo avançada tecnologia para perfuração. A característica do trabalho é inusitada, com facilidade para a perda dos furos. “São poços de geometria mais complexa, em trechos horizontais, multifraturados”, explica em suas palestras o gerente da Unidade de Negócios da Baixada Santista - UNBS, José Luiz Marcusso.

A região já identificada do pré-sal se estende do Espírito Santo a Santa Catarina, em uma faixa de 800 km, por até 200 de largura. O potencial das descobertas eleva o volume de reservas nacionais de algo em torno de 14,4 bilhões de barris para 70 a 107 bilhões. Conforme a Petrobras, caso se confirmem os volumes da camada pré-sal, o Brasil sobe no ranking dos países com as maiores reservas de óleo e gás no mundo, de 24o lugar para o oitavo ou nono.

Ainda segundo a companhia, foram investidos R$ 1,7 bilhão nos últimos dois anos na perfuração de 15 poços que atingiram o pré-sal. Dentre as descobertas, o volume estimado para o campo de Tupi, na Bacia de Santos, provocou grande repercussão. Anunciado em junho último, Tupi pode ter entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de óleo, uma das maiores reservas de que se tem notícia. E mais: o petróleo do pré-sal é leve, de altíssima qualidade. Outro grande campo é Iara - ambos no bloco BMS-11 - com volume estimado entre 3 a 4 bilhões de barris.

A confirmação de volumes ocorre somente após a declaração de comercialidade e a produção efetiva, em alguns casos, terá início entre cinco e seis anos. O Campo de Tupi está sendo preparado para um teste de longa duração a partir de março de 2009. Para que se tenha a noção da importância da descoberta, ela mexeu com o Senado Federal, a Câmara e a Presidência da República. Para o presidente Lula, a exploração do pré-sal deve servir para “tentar acabar com a pobreza deste País e pagar a dívida com a educação”. A Câmara, o Senado e uma equipe interministerial discutem a definição de um marco regulatório – regras – para a nova fronteira exploratória. Tamanha riqueza faria jus à intenção do presidente Lula, revelada recentemente em A Tribuna, de instalar na Baixada Santista um estaleiro naval para submarinos da Marinha. Faz sentido. (Especial para A Tribuna)